Trabalhos


Grupo: Fernanda Kloh, Caio Dias, Letícia Oliveira, Thais Fernandes, e Felipe Alves        
    Em fevereiro de 1936, ao visitar o interior do estado da Califórnia, a fotógrafa Dorothea Lange, ao fim de uma viagem de um mês fotografando os efeitos da crise de 1929, clicou sua mais conhecida obra, que se tornou um ícone desse período. A foto, nomeada de Migrant Mother (Mãe Imigrante) mostra uma mulher imigrante, de 32 anos, com três dos seus sete filhos ao seu lado. Enquanto dois se debruçam sobre ela, e um adormece em seu colo, seu olhar, distante e preocupado, enxergava um futuro incerto. Sua atual situação se formou a partir da morte do marido. Ou melhor, suicídio, causado pela depressão de se ver falido e nas condições em que sua família estava. Viúva, sem casa e falida, com desafio de criar os sete filhos sozinha, essa mulher era a imagem de tantas outras americanas que viviam nessa época. Mulheres, filhas, irmãs, mães... Tantos nomes em tantas cidades...  Mas, nesse caso, seu nome era Florence Thompson.
            Devido ao liberalismo econômico, que limitava as ações do governo na economia, muitos empresários movidos pela ganância, foram atraídos pelo mercado de ações e se afundaram com o Crash da bolsa. Sem fundos de sobrevivência e auxilio do governo, pois não se envolviam diretamente com medidas de cunho social, ela foi obrigada a contar com os esforços de seus filhos mais velhos para garantir o pão de cada dia. Os homens passavam horas tentando encontrar comida para a família, enquanto eles próprios se alimentavam na “sopa” comunitária, distribuídas em alguns lugares para os desempregados que suportavam a fila. Sua filha ajudava-a a cuidar dos mais novos enquanto via sua adolescência passando sem ter a oportunidade de expressar sua inocente vaidade. Os mais novos, esses eram obrigados a abrirem mão de sua infância, dos seus direitos a um estudo e buscavam na mãe, um suporte que ela mesma não possuía. Apesar da política do New Deal, que estabelecia a erradicação do trabalho infantil e o limite de 8h de trabalho, a prática não refletia isso.
            O que as lentes da câmera da Dorothea não mostram são as formas como o trabalho catando ervilha era realizado por todos da família, incluindo os pequenos, que seguiam os preceitos protestantes de acumular bens através do esforço próprio. Cansados, com fome e sem o conforto de um lar descente, tudo o que eles tinham era a companhia um do outro e a esperança capturada na foto, através de um tímido e singelo sorriso infantil. Brinquedos? Um sonho. Conforto? Tudo o que tinham eles dividiam entre si, o que se resumia em um amontoado de panos, formando uma espécie de tenda para abrigá-los do sol forte ou da fria chuva. Era nessa cabana que eles acordavam, brincavam, lutavam, comiam quando podiam, e, se ainda soubessem, sonhavam. Suas malas, uma lembrança do que um dia tiveram e do que puderam salvar. De seus bens hipotecados ou vendidos a cadeira foi tudo o que restou, além de poucos pertences pessoais. Talvez, o único que soubesse, de fato, o que era sonhar fosse o bebê, que adormecido nos braços da mãe, era privilegiado pela falta de consciência e pela pouca idade. Ainda assim, ele carregava em seus pequenos ombros, o peso de ser a esperança de toda a família, pois por ter a vida toda pela frente, provavelmente era o que mais receberia os resultados do New Deal.
            A esperança de Florence era que seus filhos pudessem ter um futuro melhor, com mais conforto e segurança. Uma vida que os libertasse de todo o sofrimento que já tinham vivido até então. O que nem Florence, nem Dorothea e nenhuma das crianças poderiam imaginar, era a aproximação do que seria a mais terrível das guerras que, apesar de ser a grande chave que desencadeou o crescimento econômico dos Estados Unidos e consagrou-o como potencia mundial, seria causador de novas aflições para essa mãe, que veria, três anos depois, seus filhos partindo para a batalha em solo europeu. Se existe algum símbolo que deva ser seguido de exemplo dos norte americanos, esse deve ser Florence e sua família, que fortes e unidos, sobreviveram à crise e lutaram bravamente até terem de volta suas próprias vidas. Na sede do capitalismo mundial, onde todos tinham oportunidades iguais na “terra prometida”, e o materialismo dominava, Florence e sua família perderam tudo, mas encontraram o que mais tinham de valor, o que significava ser verdadeiramente uma família.


 Foto de Dorothea Lange. MigrantMother. Califórnia, EUA, 1936.

A icônica fotografia feita por Dorothea Lange durante a Grande Depressão mostra Florence Thompson com três de seus filhos em uma imagem conhecida como “Migrant Mother”. Eram catadores de ervilha na Califórnia, Lange estava concluindo viagem de um mês fotografando o trabalho agrícola dos imigrantes em todo o estado. A mãe acabara de vender os pneus de seu carro para comprar comida. “Lá, ela sentou-se na tenda com os filhos reunidos em torno dela, e ela parecia saber que minhas fotos poderiam ajudá-la, e então ela me ajudou. Havia uma espécie de igualdade com isso”, afirmou Dorothea Lange.




Grupo: Isabella Santos Pinheiro (112179727), Monique CockranePrangel (112171957), Paula Anton Vargas (112202253), Sérgio Nunes Caitano (112199248), Steffane Cristina Andrade da Silva Jacob Nogueira (112190472).


Personagens da Grande Depressão
Eva Smith
A vida nunca foi fácil para quem vive na sociedade americana e não nasceu em berço de ouro, ainda mais quando a cor da sua pele reflete mais do que qualquer qualidade individual. Ser negro e americano em meados do século XX era complicado. Apesar da abolição da escravatura ter ocorrido há muito tempo atrás, era nítida a diferença entre um cidadão branco americano e um afrodescendente. Existia enraizada na sociedade uma noção de hierarquia entre as duas raças.Além do preconceito racial, havia o preconceito de gênero; a mulher não tinha direitos iguais aos dos homens e também era vista em segundo plano.
Apesar de todas as dificuldades, Eva Smith, uma mulher negra nascida no final do século XIX, conseguiu ultrapassar todas as barreiras impostas. Contra todas as expectativas, Eva construiu um negócio próprio. Iniciou-o em 1916, logo após a morte de seu pai, que deixou um pequeno estabelecimento comercial em Chicago. Mesmo não tendo estudo, o espírito empreendedor era presente nesta americana que criava seus filhos, tomava conta de seu marido debilitado por causa de um derrame e ainda conseguia tempo para sonhar com uma vida melhor.
Tudo parecia estar acontecendo de acordo com os anseios de Eva, afinal seu negócio ia mais rápido do que qualquer trem da época. Eva na verdade começou a enriquecer na década de 20, tudo parecia próspero e estável, nada poderia dar errado para ela, até conseguiu abrir outras filiais do seu salão. Também comprou um carro, mesmo não sabendo dirigir. Adquiriu eletrodomésticos que não sabia como funcionavam, mas tinha certeza que com o tempo ia se adaptar às modernidades. Afinal, a maioria das pessoas também estava fazendo o mesmo.
Além disso, resolveu aplicar seu dinheiro na nova "moda" da sociedade América: investir em ações. Mesmo não entendendo absolutamente nada sobre mercado financeiro, Eva se aventurou e comprou vários títulos.  Seu marido havia alertado-a sobre o perigo que era alguém sem estudo, como ela, realizar tal negócio, mas Eva alegou que eram tempos de prosperidade e não tinha como nada dar errado.
Eis que em outubro de 1929, tudo desanda: Eva foi vítima de sua própria euforia. Como todos os dias, ela deixou o rádio ligado em seu salão de beleza para ouvir notícias, porém nunca esperaria que alguma delas a deixaria paralisada. De forma desesperada, o locutor anunciava que toda sua luta para crescer na vida, havia sido em vão, o caos havia se instaurado nos Estados Unidos da América. A Bolsa de valores havia quebrado, de um dia para o outro, e junto desse "crash", seus sonhos – os quais pareciam sólidos – também viraram poeira. Quando Eva tentou vender suas ações, era tarde demais, tinha perdido tudo. Porém não havia sido só ela, suas clientes do salão também perderam tudo. O negócio teve que findar, não poderia manter um salão de beleza aberto sem clientes.
Perdeu o estabelecimento de comércio e logo em seguida eu marido veio a falecer, pois não tinha mais dinheiro para comprar os remédios dele. Rendeu-se às ruas, procurando emprego, aceitaria o que fosse desde que não ferisse sua honra. Apesar de ter pedido tudo, Eva então se lembrou de onde viera de sua vida sofrida. E então reconheceu que tinha motivos para sorrir, afinal ela havia começado“do nada” e poderia fazer isso de novo.



John Macola

John Macola imigrou do Vêneto, Itália, para os Estados Unidos da América após a 1ª Grande Guerra em busca de melhores condições de vida e emprego. Ou melhor, reconstruir sua vida em virtude da devastação que a 1ª Guerra Mundial provocou na Itália e como um todo na Europa. Sua vida em particular fora até ali completa desgraça: quando jovem, servira ao exército italiano; no fim da guerra, voltando para casa, descobriu que sua cidade fora alvo de batalhas sangrentas e que sua família havia sido dizimada.
Sem família ou entes próximos, se arremessou no mundo e no que já era a esperança dos emigrantes: a América. Chegando aos Estados Unidos encontrou emprego. Devido ao seu bom nível educacional,especializou-se no setor de torno da linha de produção do Ford T. Como não tinha família, o dinheiro sobrava; a sua poupança passou a ser investida na bolsa de valores de Nova Iorque, amealhando muita riqueza em curto período de tempo, devido à rápida expansão pela qual passava a economia americana.
Após ganhar e gastar muito dinheiro por 3 anos, viu a bolha especulativa da bolsa estourar e perder tudo que havia conquistado, voltando à situação de miséria que vivia na Itália antes de imigrar para os EUA. Foi morar na periferia de Nova Iorque, onde dividiu o espaço de um barraco de madeira por árduos anoscom outras pessoas, gatos e cachorros. Foi quando Roosevelt, junto do economista J.M.Keynes, implantou o keynesianismo –forma de expansão econômica que até hoje é praticada com a denominação de heterodoxia –,  retirando John e muitas outras pessoas da miséria, realocando-as no mercado de trabalho e dando-lhes capacidade de consumo e dignidade de vida.
Após essa reviravolta em sua vida, John, já com seus 40 anos, solteiro, se alistou novamente para a guerra, só que dessa vez do lado americano, ajudando sua nova pátria na nova guerra que seria vencida em 1945. Logo após seu retorno do front, constituiu família com uma mulher da qual ficou próximo na época em que morava na periferia – a qual aparece na foto –, vivendo como mais um americano de classe média até sua morte, na década de 80, em meio à guerra fria.

Frank Coleman

Frank sentia falta dos hambúrgueres de seu amigo Hanson naquela tarde quente de verão. Mais do que isso, Frank sentia fome e sentia falta de Hanson. Passaria bastante tempo pensando em frente à falida loja de seu falecido amigo antes de voltar para casa para contar a Berta, sua esposa, que não conseguira emprego novamente.
            Frank Coleman era um nativo, patriota norte-americano, crescera acreditando em todas as possibilidades que Frank Coleman pai houvera lhe dito. “Se você trabalha na América, há de ser recompensado.” “Você é livre para fazer o que bem entender, mas aceite as consequências disto.” Estudava de manhã e ajudava seu pai em seus trabalhos de marceneiro à tarde. Era melhor amigo de Hanson, filho do dono da mercearia de sua rua. Quando podia fugir para a mercearia e brincar de bolas de gude com seu amigo, eram as melhores tardes. Sua maior preocupação como criança fora a vez em que quebraram alguns dos engradados de Coca-Cola que o pai de Hanson havia comprado para aquela semana.
            Cresceram; Frank, Hanson, a marcenaria de Frank pai e a mercearia do pai de Hanson. A mercearia se transformou em uma lanchonete; os hambúrgueres chamavam mais clientela do que nunca. Parecia que todos estavam decolando em seus negócios, tudo parecia tão mais barato. Frank, que não era bobo e aprendera a poupar desde pequeno, comprou ações na bolsa, que subiram de valor absurdamente.
            Frank se apaixonou por Berta; seus pais ficaram malucos, como ele podia namorar uma ruiva? Mas era amor verdadeiro. Frank decidiu cortar laços com os pais e arranjar seu próprio emprego. Berta agora era mulher de um locutor de rádio, sempre havia dito ao marido que ele tinha uma voz forte, que tinha jeito para o negócio. Logo vieram os gêmeos Julie e Sam, o quarto deles era como um sonho, com todos os brinquedos que podiam imaginar. Tiveram mais uma filha, Anna, que parecia estar sempre com os joelhos sujos de lama por brincar de bolas de gude com o filho de Hanson, Patrick. “Isso não é jeito de uma menina se portar.” – dizia Berta.
            As famílias se encontravam todos os sábados na lanchonete de Hanson, não havia com o que se preocupar. Mesmo que houvesse, Frank pensava, tinha reservas na Bolsa para comprar hambúrgueres até para seus bisnetos.
Em uma quinta-feira, porém, ele recebeu uma notícia urgente em seu trabalho. Queria avisar a sua mulher antes de tudo, queria sair de lá e vender suas ações, mas acabou por avisar aos seus ouvintes que as ações da Bolsa de Nova Iorque haviam caído drasticamente. Ele havia perdido quase tudo, teria que apertar os cintos, mas com certeza Berta, Hanson e Judith, sua esposa, o ajudariam nesta fase.
Alguns meses depois viu que não seria isto que aconteceria. A lanchonete de Hanson teve que fechar, não havia mais clientela; seus pais entraram em contato e foram morar junto com a sua família, mesmo que desaprovassem Berta e as maneiras de seus filhos. A rádio não possuía mais anunciantes e também “cortou gastos”. Os hambúrgueres de Frank esvaíram-se no ar.

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